

Também para ela, o silêncio, vestido de negro, é a companhia dos dias depois da morte do marido. Tem nos vizinhos a família escolhida, e é nessa boa vontade que descobre forças para viver.
Com oitenta e oito anos, Maria Cândida, ainda bebe o seu copinho. São pequenos prazeres onde o cansaço das horas encontra refúgio e se transfigura numa forma muito mais doce. Num corpo de menina, num olhar inquieto, o tempo parece ter encontrado repouso.
Contam-nos que - ainda hoje - se motivos houvesse para bailar, não regatearia ao corpo a oportunidade esforçada de dar um gostinho ao pé.
Uma coisa a preocupa: “Que o filho que está em França (e que vem à terra por alturas do Verão) arranje companhia, se arrume. Aí, já podia morrer descansada”.
(Paipenela - Mêda) 03Outubro2009






















Nas mãos, com que traz para casa o pão de cada dia, embala, agora, a gaita-de-beiços, adormecendo a noite no sono roubado a todas as manhãs.



